Se Depois de Eu Morrer Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto corri o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.
Poemas Inconjuntos, Alberto Caeiro

1 Comments:
Amor, com amor se paga!!
"Estranha forma de acordar
Que é estar pronto para dormir
Abre a porta e vê se o mundo ainda é teu
Cedo vai-nos dar razão
Como a vida nos convém
Cedo irá arder nas minhas mãos
Não vejo um homem para trás
Não vejo medo para trás
Não vejo portas para trás
Meu mal é ver que eu vou bem
Todo o mal e todo o bem
Cedo voltará a nós
Inocente e trágica lição
Se uma vida não chegar
Hei-de ter cem vidas mais
Quantas mais ditar o coração
Não vejo estrada para trás
Não vejo medo para trás
Não há mais nada para trás
Estranha forma de acordar
Que é estar pronto para dormir
Abre a porta e vê se o mundo ainda é teu
Cedo vai-nos dar razão
Como a vida nos convém
Cedo irá arder nas minhas mãos
Meu mal é ver que eu vou bem"
Ornatos Violeta - "tanque"
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josé, at 11:34 AM, Agosto 29, 2005
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